Ocorreu um erro neste gadget

quinta-feira, dezembro 29

Eu?

Sou desses meninos estranhos que se vê por aí
Busco amores impossíveis, sonho com coisas simplórias
E que, para a maioria, são insignificantes, sem sentido
Desnecessárias e inalcançáveis.

Já tentei ser outro e não ser eu,
Já fui meu vizinho, meu inimigo
E fui também aquele meu amigo popular,
Já tentei tantas formas, mas sempre retorno as primícias.

Estou gasto, cansado e desiludido.
Não ofereço nada de interessante e vantajoso para alguém,
Não pareço com os rostos bonitos que são vendidos na televisão
E nem me visto como um lorde da moda.

Sou um simples garoto do campo
que se faz de homem, de importante
Que toca a vida, conforme a vida lhe toque,
Conforme o vento soprar.

Posso ser forte, fraco, manhoso ou tímido.
O que o coração manda eu faço, mesmo que me refaça,
Me crie ou recrie, eu renasço num passo
E viro cinzas noutro passo.

Cada um tem de mim exatamente aquilo que cativa,
Quem já cativou, eu me desapego, me despeço
E sigo apenas com uma pequena saudade no peito,
Mas sobrevivo e sigo em frente.

Sou cheio de medos dentro de mim,
Medo da morte, medo de errar, de não conseguir,
De ser infeliz. Medo de ficar só, de não ter amigos,
De não conseguir corrigir erros incorrigíveis.

Tenho medo da mentira, da falsidade,
Da ilusão.
Tenho medo de me entregar para uma vida
Que de minha não tem nada,

Medo de viver apenas diversões momentâneas e passageiras
Sem nunca conseguir encontrar a eternidade, ou pior,
Sem nunca saber da sinceridade, da honestidade,
Da verdade que somente os olhos são capazes de expressar

E o coração de sentir.
Medo da doce e saborosa ilusão,
Uma paixão avassaladora recheada de mentiras e injúrias.
Um martírio dentro do próprio coração.

Mas eu sigo o meu caminho, sem rumo certo ou destino.
Não levo nada na lembrança, no peito uma esperança:
não ter de sentir a dor de um outro amor, mas ainda assim
conseguir encontrar um coração tão sedento como o meu.

domingo, novembro 27

Nossa conexão 'banda larga'




Era uma tarde sei lá como
estava em um lugar sei lá onde,
conectando-me em alguém que estava a milhares de distância,
conexão que perdura durante tantos e tantos anos.

Às vezes a velocidade diminui,
ou há uma pequena queda nessa conexão,
mas a qualidade do que se sente
insiste em manter o plano banda larga

com conexão 24 horas dia, com direito a milhares de horas
durante as madrugadas frias por parte de um
e quente do outro lado.
O nosso jogo é perigoso, menina

Nós somos fogo e gasolina!
Eu incendeio, eu faço hora, eu vôo na valsa..
Você faz gracejos, encanteia, distribui
simpatias e cortesias,
Mas sabe castigar.

Mas não há mal que se perpetue,
não há tristeza que não passe,
Não há um só dia, em que de fato, não sintamos saudades de aprontar um com o outro
Assim nós vamos vivendo..

Engano a saudade,
Sinto a sua falta e lembro com carinho e amor
das noites mal dormidas e dos desfiles exclusivos.
Enquanto eu existir algo em mim sempre estará conectado em ti.

domingo, julho 17

Medo?

O medo é uma dor
ou será uma flor?
Eu lhe dou a flor do medo,
mas que flor é esta?

Será que toda flor é dor?
Ou será que o medo não é nada disso.
Medo, dá medo do medo que dá.
Confesso que tenho vários desses,

alguns já me assombraram, mas ao longo
me deixaram,
abandonaram,
me jogaram fora...

Mas outros me agarraram
e parecem não querer soltar mais.
Sera que tudo se resume
a medo?

domingo, junho 26

Despedaçando-se, um garoto


Ele era um garoto, um menino não tão belo, mas com um coração enorme. Ele sempre sorria e costumava acreditar na força das coisas. Fazia de si um grosseirão frio e cético, mas esta era a sua defesa contra o mundo sempre tão esmagador e destruidor de sonhos. Ah! E como ele sonhava, sonhava sem parar e viajava o mundo todo através de seus incríveis poderes mágicos, fazia tudo isso em cima de sua cama ao som de uma melodia doce e calma. Vivia as maiores histórias de amor e deixava a paixão fluir por todos os seus poros, ele era feliz. Em seus sonhos sempre era correspondido, nunca sofria as consequências do destino, consequências estas que nem sempre eram tão agradáveis.

O tempo passava e os sonhos não eram mais o suficiente para alegrar o garoto, as lágrimas não deixavam mais os olhos. Ele se questionava por que teria desistido da UFMS, mas sabia que esta era apenas mais uma das histórias que queria que fosse verdade.. Ah! E que história! Mas ele não se saíra tão bem dela.. Deixara um pedaço do seu coração perdido nas brechas do tempo. Ele teve medo o tempo todo, sentiu-se estranho e fora do controle. Seu peito doía de solidão e ele ansiava pelo término deste mal, desta dor. Sofrimento sempre fora algo que não alegrava o menino, nisso ele não era bom. Procurava sempre fugir da dor.. E assim o fez, apagou todos os vestígios que pudessem lembrar-lhe das terras longínquas que ousara visitar. Queria que tudo fosse como se nunca tivesse acontecido, mas os fatos haviam sido lapidados em seu coração, marcados com ferro em brasa, com o fogo repentino da paixão.

Restava-lhe apenas as conversas para ler, apenas elas, mas os olhos não se aguentavam quando lia as palavras que agora lhe pareciam tão falsas, mas que antes haviam lhe tirado os maiores sorrisos. De repente tudo parecia tão pequeno, tão cheio de nada.

Sentia falta de seu aparelho telefônico tocando a todo momento, sentia falta de rir com ele na mão. Seu coração pulsa a cada novo torpedo, as esperanças sempre ficam e as dele parecia que não findavam.

Às vezes sorria lembrando, às vezes eram as lágrimas que tomavam o lugar do riso. O peito doía. Que dor é essa? Ele queria expulsá-la de dentro dele, queria poder se esconder nos braços de outras pessoas, queria poder se entregar a todos, lutava para achar alguém que lhe fosse possível, encontrar alguém que realmente lhe dissesse tudo sem medo, que se sentisse preparado para receber o seu amor.

O garoto, pobre tolo. Sofria agora as dores de um amor não vivido, ou deveria dizer mal vivido? Teria sido platônico?

A noite se encerrava com o rosto coberto do choro, ele apenas pensava e pensava e pensava: Quando é que o amor vai realmente acontecer comigo? Quando?

E assim afundou a cabeça no travesseiro e se permitiu dormir, sem sonhos, por que estes seriam pouco a pouco abdicados de sua vida vazia, de sua alma vazia... De seu coração partido, pequeno e despedaçado.

domingo, junho 12

Eu não sei

Dos dias frios que se seguem
eu tiro apenas duas coisas:
a solidão e o marasmo.
A solidão dessa vida exclusiva e tão só,

Vida sem razão, sem emoção.
Marasmo que me consome, que me enche o peito
do tédio impregnante de cada dia,
de cada amanhecer, de cada ar, de cada tudo!

O cansaço dessa vida minha,
desse andar e suor de cada dia.
O cotidiano sangrento e turbulento
me esmagando, dilacerando, destruindo.

Morre dia-a-dia uma parte minha,
morrem as rosas?
Morre o meu ar, o meu lar,
Morre o meu ser, morre o meu eu.

O eu de hoje distinto do de ontem
e metamorfoseando-se para o futuro,
para o ali, o lá, o outrora.
Quem serei? Quem sou? O que fui?

Eu não sei, eu não sei, eu não sei.

domingo, maio 15

O menino da casa da frente

O garoto da casa da frente era realmente um sujeito curioso. Dos vizinhos ninguém o conhecia, mal nos dirigia um olhar, quem dirá uma palavra.
Era engraçado observá-lo, literalmente falando, já que o jeito um tanto quanto estabanado estava presente sempre junto dele. Percebia facilmente que ele se esforçava para parecer sério.
A priori até que conseguiu, mas como é que alguém que acorda as 7 da manhã e liga o rádio no último volume pode ser levado tão a sério assim? Uma contradição talvez? Cadê o respeito ao próximo? Segundo o material dos bons costumes este deveria ser um dos primeiros itens a ser seguido a risca... Mas o menino não parecia se importar com isso, já que inúmeras vezes ouvíamos a gargalhada estridente e engraçada que ele tinha. Parecia uma daquelas pessoas desencanadas com a vida e que sempre leva todo mundo a se questionar sobre quando deve ser o momento certo de se levar a sério? Costumava sorrir internamente, quando não sorria é por que estava zangado, isso era praxe quando ele saía de casa no primeiro horário ou quando chegava no último! Ah! e quando saía com aquelas roupas de gente elegante também não parecia muito feliz.
Não me canso de observá-lo aqui da minha janela, mas ultimamente ele tem se tornado tão desinteressante. Sai sempre com as mesmas roupas, sempre de cara amarrada e parece mais triste que o comum. Será isso a solidão? Será stress? Será infelicidade?
Mas, espere... por que tanta solitude? Será que não percebe que eu o noto aqui da minha janela? Será que as coisas não andam bem? Nunca o vi com ninguém.. O que será que há de faltar? O que será?

Das que não entendo

Das coisas que não entendo
Eu não consigo emitir opiniões de imediato
Não sei se é medo ou insegurança.
Se duvidar são as duas coisas, até por que elas querem dizer a mesma coisa neste caso.

De tudo o que sei,
sei por que pensei e meditei antes de
efetivamente dizer que sei.

Não sei se hoje sei mais do que ontem
ou se é hoje que menos sei.
Afinal: O que é mesmo que eu sei?

terça-feira, março 8

Meu amor virtual

Entre uma centena de possibilidades, com tantos cliques e ctrls c’s e v’s eles se conheceram em uma tarde de domingo. A tradicional apatia de inicio de conversa e aquelas perguntas tão clichês preencheram o aplicativo de mensagens instantâneas que utilizavam. Um desfile e várias risadas. O encantamento foi mutuo de um para com o outro. A história se seguiu no dia seguinte, desta vez, porém, os dois se viam, apareceram um para o outro. A curiosidade foi despertada e agora queriam saber e conhecer cada detalhe um do outro: Cores, amores, sabores, sonhos, medos e desejos. Compartilhavam o dia e passavam horas olhando um ao outro. Não tardou para que começassem a sentir necessidade de descobrir o corpo, a curiosidade e os hormônios tomavam a frente da relação e faziam com que todo e qualquer pudor fosse temporariamente esquecido.
Não demorou para que viessem as juras e as promessas de amor eterno, havia ainda a vontade de tocarem-se, sentirem-se e eternizarem o sentimento que agora aflorava. No telefone a timidez, a voz grave de um lado, a doce e sensível do outro. A cumplicidade diminuía o constrangimento do ato e dava espaço até para algumas risadas.
Toda noite a rotina se repetia. O dia se torna completo com a visão que se tem do alheio, sem ela o dia é apenas mais um dia, sem tanto sentido, sem graça alguma. É só mais um dia.