Ocorreu um erro neste gadget

domingo, maio 15

O menino da casa da frente

O garoto da casa da frente era realmente um sujeito curioso. Dos vizinhos ninguém o conhecia, mal nos dirigia um olhar, quem dirá uma palavra.
Era engraçado observá-lo, literalmente falando, já que o jeito um tanto quanto estabanado estava presente sempre junto dele. Percebia facilmente que ele se esforçava para parecer sério.
A priori até que conseguiu, mas como é que alguém que acorda as 7 da manhã e liga o rádio no último volume pode ser levado tão a sério assim? Uma contradição talvez? Cadê o respeito ao próximo? Segundo o material dos bons costumes este deveria ser um dos primeiros itens a ser seguido a risca... Mas o menino não parecia se importar com isso, já que inúmeras vezes ouvíamos a gargalhada estridente e engraçada que ele tinha. Parecia uma daquelas pessoas desencanadas com a vida e que sempre leva todo mundo a se questionar sobre quando deve ser o momento certo de se levar a sério? Costumava sorrir internamente, quando não sorria é por que estava zangado, isso era praxe quando ele saía de casa no primeiro horário ou quando chegava no último! Ah! e quando saía com aquelas roupas de gente elegante também não parecia muito feliz.
Não me canso de observá-lo aqui da minha janela, mas ultimamente ele tem se tornado tão desinteressante. Sai sempre com as mesmas roupas, sempre de cara amarrada e parece mais triste que o comum. Será isso a solidão? Será stress? Será infelicidade?
Mas, espere... por que tanta solitude? Será que não percebe que eu o noto aqui da minha janela? Será que as coisas não andam bem? Nunca o vi com ninguém.. O que será que há de faltar? O que será?

Das que não entendo

Das coisas que não entendo
Eu não consigo emitir opiniões de imediato
Não sei se é medo ou insegurança.
Se duvidar são as duas coisas, até por que elas querem dizer a mesma coisa neste caso.

De tudo o que sei,
sei por que pensei e meditei antes de
efetivamente dizer que sei.

Não sei se hoje sei mais do que ontem
ou se é hoje que menos sei.
Afinal: O que é mesmo que eu sei?